segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Férias no Rio parte II Maria Rita batuca todos os corações no Circo Voador e encanta até os Arcos, com participação de Arlindo Cruz

Noite que mais parecia primavera, clima agradável, céu estrelado e aquela brisa que incentivava todos a colocar o bloco na rua. Foi nesse clima que o Rio brindou a escala carioca da turnê de Maria Rita, com o show “Coração a Batucar, do álbum homônimo lançado sete anos após “Samba meu” e que já é sucesso de crítica e público. Em novo momento, ainda em levada “eu sou o samba” –  deixando qualquer dúvida de lado, esse trabalho é sua segunda incursão pelo mais brasileiro dos gêneros musicais – , a cantora escolheu a Lapa para se apresentar neste sábado (13/9) , naquele badalo típico do Circo Voador que dispensa qualquer adjetivo.
Mesmo com o atraso do inicio do “pagode”, a galera estava animada e já ensaiava desde cedo palmas para dar aquele toque especial à noite. “Pode isso, produção?!?”, perguntava um ou outro na plateia. Bem, a artista tem lá seu quinhão de sedução, e o bom de estar no Circo Voador é que até a espera é tão agradável, sem suplício algum, que inspira a chance de ficar admirando os Arcos da Lapa, naquela vibe open air, sentando num barzinho lá fora, comprando algum souvenir ou ainda dando corda para os malandros. Sim, pode até mesmo rolar aquela “erotizada” básica e, quem sabe, alguém cair de cabeça na “frechada” de algum olhar. Daí, natural, vale ensaiar antes uma palminha aqui, em atmosfera de torcida organizada, em prol da diva.

Ela entra em cena com todo aquele magnetismo genético que vem de lá de dentro, fazendo simplesmente todos focarem em sua reluzente estrela. A cantora quer reproduzir no palco a atmosfera que diz ter norteado a produção de “Coração a Batucar”, que foi gravado praticamente ao vivo, tipo roda de samba. Cool! Já começa o show com “Meu Samba, Sim Senhor, em seguida tasca – para o delírio da galera que comparece em peso ao circo – “Cara Valente”, destaque para a banda afinada e primorosa liderada pelo guitarrista Davi Moraes, filho de Moraes Moreira. Os músicos estiveram juntos no estúdio e vão ao palco em plena sintonia. Os caras esculacham, de tão bons! No baixo,Alberto Continentino, no piano senta Rannieri de Oliveira Wallace Santos comanda a batera.
Numa pausa muito feliz, a cantora mima o público: “Estar aqui no Circo Voador e na Lapa é mesmo incrível! Tantos aplausos, fico humildemente agradecida! Vocês sabem que não sou muito de falar, mas tudo vale a pena quando se está aqui em cima e se tem esse reconhecimento. Sempre digo que a minha relação é com a arte, antes de tudo, eu faço isso por vocês, por causa de vocês! Ah, pronto, chega! Eu sou tímida… (rs)” Mas continua: “Tenho que agradecer à minha equipe que fica escondida e ninguém vê, mas são eles que fazem com que tudo corra bem para que vocês tenham uma linda noite. E o meu último agradecimento vai para esses artistas maravilhosos que formam essa banda. Eles me emocionam muito…”
Depois, em momento perfeito para os apaixonados, a batucada dá lugar ao samba-canção. Hora de se rasgar inteiro, caso esteja naquela “pausa por opção”. Sei… E, se é daqueles (ou daquelas) que faz inveja às inimigas, é hora de agarrar sua paixão ao som de Rumo ao Infinito” e “O que é o amor”, de Arlindo Cruz. “Quando a gente ama, brilha mais que o sol, É muita luz,  é emoção, o amor”. Bom, bateu aquela dor? Relaxa que vem mais samba para ficar com bolha no pé!
Aí, o show segue daquele jeito, com faixas tipo Coração a Batucar” e Samba Meu”: E Vamos a luta”, “Maria do Socorro”, “É Corpo é Alma, é Religião”, “Fogo no Paiol” e “Mainha Me Ensinou”dentre outras.
Outro grande momento é o solo de atabaques, bateria e piano dos músicos, um show!  Levam mesmo a rapaziada a tirar o pezinho do chão. Momento para a diva do samba trocar de figurino e subir de novo ao palco com aquele rosa, na pegada Estação Primeira de Mangueira, divino! Seu visual é assinado pelo estilista e parceiro de longa dataFause Haten, que, pela primeira vez, também assina o cenário de um show. O cara manda bem em cenografia minimalista, não roubando nem um pouco o brilho da estrela. Arte que deve ter aprendido em sua trajetória de SPFW, onde o ambiente deve funcionar apenas para emoldurar a roupa, sem dominar o desfile.
E, quando o público pensa que já está no fim, eis que surge Arlindo Cruz, porque, onde tem bom samba, ele aparece como num encanto para dar a benção. Lá vem Arlindo. Sim, repara só, o “Arlindão”está mesmo em todas! O músico sobe ao palco com aquele jeito bonachão de “por essa não esperava” e, antes que se dê conta, já aparece um bolo com as cores do Império Serrano (verde e branco). Como de improviso, Maria Rita o parabeniza pelo seu aniversário. Já é para lá de meia noite e no dia 14 de setembro o cara faz anos. Boa!
“Vou falar uma coisa para vocês desculpe: Setembro é f*@#%&@! Meu aniversário é hoje, o da minha querida Maria Rita foi dia 9, mês do lançamento do meu CD “Herança Popular” e ainda rola São Come e Damião. É fogo!”, diz o bamba. Se o mestre-glutão fala, está falado, como bom virginiano que sou, não poaao dar mole e discordar do compositor. Afinal, isso é mesmo! No mais, é de impressionar a energia singela e a interpretação da Maria Rita, temperada com requinte, brasilidade e cheia de emoção. Noite memorável!
Minha matéria retirada do Site Heloisa Tolipan

Férias no Rio parte | Cinquentinha: Maria Bethânia comemora meio século de carreira sem perder a majestade!




Fotos: Vinicius Pereira


Memorável o show no Vivo Rio! Se em 13 de Fevereiro de 1965 chovia muito no Rio de Janeiro e, ainda como agravante, havia a promessa de má sorte do tal número do azar, a máxima caiu por terra quando Nara Leão apresentou a todos sua substituta em “Roda Viva” no extinto Teatro Opinião, em Copacabana: uma menina de 17 anos vinda da Bahia chamada Maria Bethânia. Seu sonho de se tornar cantora podia até ser impossível, mas… Nada disso! Era questão de tempo – já que talento sobrava – para que ela viesse ao mundo das artes e se tornasse uma das maiores intérpretes da MPB. Com sua voz única e presença marcante, entoando “Carcará”, seu canto atravessou meio século e oxalá, sobrevoa até hoje os céus do Brasil – ainda bem! – motivo pelo qual a artista agora comemora, a partir desta noite de sábado (10/1), seus 50 anos de carreira. E o mesmo Rio Maravilha que recebeu sua voz de braços abertos acolhe nesse momento sua diva maior no palco do Vivo Rio para celebrar esta data tão especial. Em turnê com “Abraçar e Agradecer”, com mais apresentações ainda neste domingo (11/1), quinta-feira (15/1), sábado (17/1) e domingo que vem (18/1).
O show, que segue para São Paulo e depois continua pelas grandes capitais brasileiras durante todo o ano de 2015, tem direção e cenografia de Bia Lessa – que a acompanha desde seus últimos espetáculos “Carta de Amor”, Amor, Festa e Devoção” Dentro do Mar tem Rio”. Por sua vez, a coordenação e produção musical é de Guto Graça Mello, produtor responsável por álbuns marcantes em sua carreira como Ciclo”(1983) e As Canções que você fez pra mim” (1993).

Dessa vez, a banda é formada por Jorge Helder (regência e contrabaixo), João Carlos Coutinho (piano e acordeom),Paulo Dafilim (violas e violão), Pedro Franco (violão, bandolim e guitarra), Marcio Mallard (cello), Pantico Rocha(bateria) e Marcelo Costa (percussão). E, ao contrário de sua emblemática estreia no Rio, neste sábado não choveu. Pelo contrário, o céu estrelado era de tirar o fôlego e o mar sereno e o calor senegalês – mesmo às 22hs no horário programado para o espetáculo – contribuíram para mais uma noite mágica. Na entrada, via-se uma certa ansiedade do público, normal, né!?! Shows da Bethânia hoje em dia são coisa rara e sempre que se é conhecido dessa forma, vem aquele frisson nos mortais que precisam ser arrebatados por algumas horas de catarse.
E, como não poderia deixar de ser, o show foi mesmo espetacular! A começar pela a estrela maior, que entra em cena com a casa vindo abaixo. Em um mimo ao irmão Caetano, abre o primeiro ato do espetáculo com “O eterno em mim”. Em seguida, emenda “Dona do Dom, de Chico Cesar, e “Gita”de Raul Seixas e Paulo Coelho. Aí, se o clima já era quente, o coro ardeu por completo, cool!

No mais, um momento alto no 1° ato: a declamação de poema de Clarice Lispector em tom sensível e único que nos comove. Gostoso demais! Depois, em passagem que vai ficar para os anais da MPB, a diva tasca “Tatuagem”, de Chico Buarque, de roubar a cena num repertório escolhido a dedo. Lindo mesmo! E, para qualquer dor de cotovelo. agora é a hora de se jogar e cantar sem medo de que o amigo do lado perceba o tal sofrimento. Relaxa baby! “Se há algum direito ao grito, então eu grito!”, Bethania solta.
A presença em cena e o figurino alinhado dão aquele tom respeitável, e a iluminação acertada e as projeções aos pés da cantora se encarregam de favorecer o todo do espetáculo, fazendo parecer que a artista está flutuando no mar. Primoroso. Tudo parece um culto que convida o público a lavar a alma, e o que importa é estar bem consigo mesmo, ficar atento aos sinais que a cantora joga ao leu. Aliás, ao leu não. Nada é por acaso ali.
Minha Matéria retirada do site Site Heloisa Tolipan

Com histórias de altos e baixos, o Cais do Sodré é o novo point de badalo em Lisboa

Depois da calmaria decadente, tempestade regada a agitos: antiga zona de prostituição portuária renasce na capital portuguesa, servindo de exemplo para o Porto-maravilha, no Rio!!


Em época de revitalização do Cais do Porto, no Rio de Janeiro, é hora de conhecer outro exemplo, no exterior, de como é possível transformar o lixo em luxo. Afinal, nada como o burburinho das metrópoles, sempre em constante transformação. Lugares que estavam na moda podem sair dos holofotes de uma hora para outra, assim como paragens insuspeitas são propensas se tornar novos objetos do desejo da rapaziada que frequenta as baladas, como já aconteceu com a Barceloneta, antiga área degradada em Barcelona e com o Puerto Madero, uma das pérolas atuais de Buenos Aires. Assim, quem viajar para Lisboa poderá descobrir aquele que é atualmente o ponto dos descolados na capital portuguesa: o Cais do Sodré. Para quem não está familiarizado com Portugal, o nome pode até parecer estranho, mas, retrocedendo no tempo, é possível confirmar a história deste local, intimamente ligado ao mar.
Na época das descobertas e grandes navegações, era uma zona dinâmica e chamava-se Bairro Cata-qué-farás, lugar onde eram construídas as embarcações usadas para se chegar às novas terras além-mar, ponto de partida para novos povos e novas culturas. Ou seja, o local era berço do cosmopolitismo lusitano. O curioso nome original foi dado pelo Conde de Sabugosa (nada a ver com o famoso Visconde de Monteiro Lobato!), que costumava apelidar os lugares com significados e expressões, tipo “procura que há de achar” ou “trabalha que hás de vencer”. Bom, reza a lenda que a areia do Tejo possuía pó de ouro, o que levava os viajantes a peneirar as areias da praia com afinco. Daí o “cata-que-farás”. Apesar deste mito, outras hipóteses para explicar o nome foram surgindo ao longo dos anos, mas, ainda assim, o significado do Cata-que-farás continua um daqueles mistérios que Lisboa preza em guardar.
No século XIII, a região passa a se chamar Cais do Sodré por conta da importância da família homônima, que habitava a zona e mantinha íntimas ligações com comércio marítimo. A história do cais liga-se também aos seus edifícios, espaços de encontro e convívio, com saraus que fizeram desta área um dos lugares da moda na frenética Lisboa do século XIX. Com o passar dos anos, entretanto, o bairro foi saindo do circuito e dando lugar à degradação, com bares mal frequentados e repletos de público suspeito, como costuma acontecer nas regiões portuárias. Acabou ficando conhecido pelos estabelecimentos duvidosos com nomes de capitais do norte da Europa, pura isca para atrair malfadados marinheiros que, mal chegavam, iam logo se divertindo com “senhoras bem mimosas” que perambulavam pelas esquinas escuras. Basfond! 
Por isso mesmo, é ótimo quando espaços que foram importantes  – e acabaram relegados ao esquecimento! – se reinventam, se transformando em novos polos de agito, como aconteceu recentemente com o Cais do Sodré que, agora, tem diversão de sobra para oferecer ao público e turistas. Novo ponto de diversão lisboeta (despido da velha fama de zona de prostituição, mas, ao mesmo tempo, se beneficiando dessa aura), ele volta a ser um lugar de badalo, cheio de gente animada pronta para circular no pedaço e encher o copo no fim da noite, a fim de esquecer a crise que assola a Europa. Afinal, a recessão vem mudando os hábitos noturnos dos portugueses e agora, mais do que nunca, a diversão com economia é uma premissa, caso contrário, as lamúrias dos baladeiros de plantão acabam até superando a fossa dos fadistas.


Após o projeto de requalificação do bairro, com interdição do trânsito de uma das vias, o Cais do Sodré floresceu, impulsionado por algumas restrições impostas no Bairro Alto, tradicionalmente o local maior da diversão na cidade, eleito pelo portugueses e turistas como “o point” e até mencionado na música “Marujo Português” cantada por Maria Bethânia. Sim, as coisas mudaram muito no Bairro Alto e, devido às reclamações dos moradores locais em relação ao barulho e ao horário da baderna incessante, houve uma tentativa de melhorar a frequência no bairro, motivo suficiente para a boemia se cansar de vez e descer até o Cais. Agora, as noites no novo local de encontro têm sido ao barrote – para usar uma gíria portuguesa -, com o lugar apinhado de gente na rua, tipo Lapa ou Baixo Gávea, no Rio. Dizem as más línguas que, quem tirar o pé do chão corre o risco de perder o lugar! Assim, vale a pena destacar aqueles highlights que têm dado o que falar, tanto no boca a boca quanto nos novos guias de viagem à terrinha. Pode anotar no seu caderninho e conferir tudinho na próxima viagem à Lisboa, sob o risco de ser tachado de careta, caso não dê uma passadinha por lá:
– Pensão do Amor: tem esse nome porque encontra-se no edifício que já foi uma pensão com quartos alugados a prostitutas, que recebiam seus seus clientes no cafofo. Agora, o prédio é ocupado por vários espaços, desde ateliês de artistas a bares transados. Com entrada pela Rua do Alecrim (com direito a espaço para uma esplanada) e pela Rua Nova do Carvalho, tem cafetaria/bar no primeiro piso, decorada como cabaré – lembrando o tempo em que o local era hot point da mulherada da vida -, todo em tons de vermelho. Tem também uma sala polivalente para concertos, palestras e outros eventos, além de incluir uma livraria temática dedicada ao erotismo, e ainda conta com um cabeleireiro. Imperdível!
– Music Box: música ao vivo e DJs tornam este espaço um dos mais ecléticos e mais concorridos da noite lisboeta, com oferta intensa de concertos e eventos, com sons passando pelo jazz, rock e house, sempre para um público variado.
– Sol e Pesca: já foi uma loja de artigos para pesca desportiva e profissional, daí o nome. Agora, com decoração composta por varas de pescar e anzois no café que ocupa o espaço, é perfeito para aquela pescaria, tipo pegação, nos agitos noturnos da cidade. Tem serviço de delivery , pois, além dos copos os vinhos (todos portugueses), serve conservas bacanas acompanhas pelo ótimo pão alentejano. Delícia!
– Povo: podia ser apenas mais um bar de petiscos, mas trata-se de uma “tasca artística” onde se ouve, sobretudo, fado, mas também outros gêneros musicais como o flamenco, tango ou zarzuela. Mais passional, impossível. É um espaço muito simples e, ao contrário de outros dedicados ao fado, não se trata propriamente de uma atração turística, estando aberto a todos os apreciadores da música portuguesa, em geral.
Bom há mais opções, porém, com estas sugestões, já dá para o visitante começar a desfrutar do Cais do Sodré,e aproveitando tanto apra começar como terminar bem a noite em Lisboa. Agora é só aproveitar a próxima estadia em Lisboa para conferir.

Minha matéria retirada do Site Heloisa Tolipan