terça-feira, 17 de novembro de 2015

Último reduto da rainha-viúva, construção joia rara do romantismo: o Palácio da Pena é imperdível!

Basta pensar em Europa e logo vêm à mente épicas histórias do velho mundo: reis e rainhas do passado, castelos deslumbrantes e aquelas disputas medievais ou renascentistas por territórios, já que, de praxe, não havia muito que fazer naqueles tempos para apimentar a vida, a não ser decidir entre duas coisas: “Casamos entre nós ou entramos em guerra?” Bom, nessa levada de história da carochinha verdadeira, Portugal possui um dos palácios que melhor representa a expressão do romantismo arquitetônico do século XIX. Aliás, o primeiro palácio nesse estilo da Europa.O Palácio da Pena, este impressionante e surreal edifício, volta agora à moda e, segundo dados, é o lugar de maior visitação neste último ano, superando pontos históricos emblemáticos, motivo que tem causado certo burburinho no país.
A construção foi uma das principais residências da corte portuguesa durante o século XIX, situado na belíssima serra de Sintra e erguido cerca de 30 anos antes do carismático Castel de Neuschwanstein, na Baviera, este servindo de inspiração ao “Castelo da Bela Adormecida”, símbolo maior dos estúdios Disney e de todos os contos de fada. Para quem acredita que os portugueses são devagar e quase parando, esta é uma prova de que, pelo menos naquela época, eles não brincavam em serviço e, quando queriam, saíam na vanguarda.  
Antes de sua construção, a paisagem da serra de Sintra e as ruínas do antigo convento já maravilhavam o rei-consorte Fernando II, que as adquiriu em 1838. Nada simples, mas chegado a certas faraonices, o rei promoveu diversas obras de restauro com o intuito de fazer do edifício sua futura residência de verão. Coisa típica de monarquia, afinal, eles adoravam fugir do calor pra não abdicar dos arminhos e veludos, vide a monarquia brasuca subindo a serra de Petrópolis para fugir dos “quintos dos infernos!”
Em Sintra, o trabalho de recuperação foi bem rápido – muito mais ágil que o atual tititi causado por qualquer expansão de metrô carioca ou derrubada da Perimetral – e, em 1847, a majestosa obra já estava quase concluída, segundo o projeto original do barão alemão Von Eschwege, arquiteto amador, mas responsável por intervenções decisivas no detalhamento. Muitos dos pormenores, entretanto, acabaram ficando a cargo do exótico temperamento do monarca português que, a par de arcos ogivais, torres de sugestão medieval e elementos de inspiração árabe, desenhou e fez reproduzir, na fachada norte do palácio, uma imitação do Convento de Cristo em Tomar, cidade portuguesa do distrito de Santarém. Sim, não é de hoje que português adora fazer uma saladinha arquitetônica, e não se fala aqui das casas tijucanas, no Rio, com varandas cheias de volutas, guarda-corpos, galos típicos e paineis de azulejos. O tal convento, aliás, é local lindíssimo, classificado pela UNESCO como Património Mundial e, fundado em 1160, pertenceu à Ordem dos Templários, antes desta cair em desgraça junto ao Papado. Não é difícil imaginar, portanto, que tenha servido também de inspiração.
Mas o Palácio da Pena também já foi cenário de eventos conturbados, perfeitos para figurar em roteiros cinematográficos. Muitos anos depois de sua construção, ele foi palco do ultimo suspiro da monarquia em Portugal, com estes acontecimentos dignos de cinema incendiando aqueles dias. Com a situação política bombando no país desde o regicídio de 1 de Fevereiro de 1908 – fato ocorrido em Lisboa que marcou profundamente a história de Portugal, com o duplo assassinato do rei Dom Carlos e do seu filho e herdeiro, o príncipe Dom Luís Filipe, fim da última tentativa séria de reforma da monarquia Constitucional – a rainha-viúva Dona Amelia, dura na queda, enfrentou os assassinos “mano a mano”. Há relatos que afirmam que ela caiu dentro, batendo com seu guarda-chuva nos culpados, mostrando que era boa de muque, mas, após esta prova de voluntariedade, ela preferiu se refugiar no palácio, rodeada de damas da corte e dos fieis cães de estimação, enquanto a coisa pegava fogo lá fora. Quando finalmente estourou a revolta de 4 de Outubro, em 1910, a rainha aguardou, dentro da tranquilidade da Pena, o evoluir da situação, volta e meia subindo com a sua comitiva nos terraços para fuxicar sinais dos combates em Lisboa, que podia ser vista à distância. No dia seguinte, partiu ao encontro de Dom Manuel, seu filho mais novo, em Mafra, voltando nesta mesma tarde ao Palácio da Pena, onde passou a noite de 4 para 5 de outubro, a última que passou em Portugal antes da definitiva queda da monarquia. No dia seguinte, já com a República instalada, a rainha dura na queda partiu de novo para Mafra, ao encontro do filho e da sogra, de onde todos foram chorar mágoas no exílio. Com a implantação da República Portuguesa, o palácio foi convertido em museu, com a designação oficial de Palácio Nacional da Pena e, já em 1945, a rainha deposta, de visita a Portugal, voltou ao local, onde pediu para estar sozinha durante alguns minutos: era o seu lugar predileto, uma maravilha.
Mas não foi só Dona Amelia que evocava a beleza do Palácio da Pena. Considerado hoje uma das sete maravilhas de Portugal, foi, neste último ano, o monumento mais visitado do país, voltando a estar no centro das atenções. A informação foi divulgada pelo Parques de Sintra – Monte da Lua (PSML), empresa encarregada de gerir o monumento e, ultimamente, esta informação tem causado rebuliço na terrinha, com autoridades responsáveis por outros símbolos do país em ciumenta polvorosa. De acordo com o documento, o local registrou 787 mil visitas em 2013, ultrapassando, assim, o número de visitantes do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém, que se cifram, respectivamente, em 722 mil e 537 mil entradas, segundo os números divulgados pela Direcção Geral do Património Cultural. Bafo regional com sabor de barriga de freira.
Como atração imprescindível, quem pensa em visitá-lo não pode deixar de ir ao Salão Nobre do Palácio, finalmente restaurado por completo. Mais belo e novinho em folha, pronto para ser degustado pelos olhos dos visitantes. Dentro do palácio, há várias divisões decoradas, como os salões e os quartos reais, tal como eram há dois séculos atrás. Infelizmente, não é permitido tirar fotografias. Mas, por outro lado, há muitos lugares a partir dos quais se pode observar o visual fantástico de Sintra e seus arredores, com destaque para seus jardins, outro cartão de visitas do lugar. Imperdível! 
Minha matéria retirada do Site Heloisa Tolipan

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Férias Brasil - Elza Soares no Teatro Rival no Rio "Tenho pavor dessa coisa de dizer que não é do meu tempo!"


A matéria mais emocionante que fiz até o momento. Foi lindo! Amigo é coisa para se guardar! Voz do século e grande diva da MPB, Elza Soares voltou neste final de semana (22 e 23/8) ao Teatro Rival, no Rio, após uma temporada de sucesso em maio, prestando uma emocionada homenagem aLupicínio Rodrigues, repleta de belas interpretações e deliciosas surpresas para arrebentar de vez os corações.  O compositor, morto em 1974, conhecido por retratar as dores de amor, se tornou amigo da cantora na década de 60. História, portanto, para celebrar no palco, já que lá se vão 100 anos do nascimento do compositor gaúcho.“Lupi está na minha pele. Tenho duas rosas tatuadas em homenagem a ele, a quem devo muito”, revela Elza para a entrevista que me concedeu após o espetáculo. 

Afinal, a cantora estourou para valer quando gravou “Se Acaso você chegasse” – canção de Lupicínio que já fez parte do repertório do mais alto escalão das divas que chegam para ficar, e como Elza não poderia ser diferente. “Quem poderia imaginar que menina magricela do Engenho de Dentro, filha de lavadeira e operário conseguiria dar um salto tão grande a ponto de o próprio Louis Armstrong, num encontro a chamar de filha, por conta do seu timbre muito próximo ao dele, What?!”, recorda a estrela, brincando, mas trazendo a voz embargada por conta da emoção do momento e de o fato de Lupi ter participação tão presente nesse início de sucesso. What A Wonderful World….
Bom, ela nunca deixou de acreditar que o mundo podia ser mesmo maravilhoso, não desistiu e, enquanto brasileira e guerreira, quebrou paradigmas e deu a volta por cima muitas vezes. “Todos nós temos nossas máquinas do tempo. Algumas nos levam pra trás, são chamadas de memórias. Outras nos levam para frente, são chamadas sonhos”, filosofa Elza. E, assim como um sonho, ela prossegue o espetáculo, em ambiente altamente cenográfico, com pétalas de rosas em todo palco, ela de branco e  cintilante em sua cadeira e, ao lado, um mesinha com a foto do amigo Lupi, como se fosse uma imensa sala de estar. Ou, quem sabe, até um boudoir, em resultado cênico que deixa a diretora Bia Lessa embevecida na plateia.
Mas tudo é ao mesmo tempo muito à vontade, natural até, apesar do apelo mitológico que Elza causa no público. Mesmo assim, é uma casa e a casa é sua! Brincando, conta que no dia anterior ao show pensou no amigo que já foi e até trocou com ele umas palavras no ar, sobre o vestido que ela pretendia usar, que acabou caindo no chão: “Que isso, Lupi, isso é coisa que se faça?!” A plateia se diverte. No repertório estão canções que marcaram época, como“Cadeira Vazia” e “Nervos de Aço”, entre outras. E a banda é esplendorosa! Os meninos mandam bem e embarcam no jazz, blues, bossa nova, samba-rock e naquilo que der na telha da intérprete, com muita propriedade. Nos intervalos ainda mostram todo talento, permitindo assim que a peteca não caia, cool!
Casa cheia de amigos, fãs e de uma presença mais que especial, Lupicínio Rodrigues Filho, o Lupinho, que estava na plateia e sobe ao palco a pedido da diva, cantando com ela “Esse moços” . Tipo jam session, sem combinar, mas deixando o coração falar. Filho de peixe, peixinho é, e Elza se espanta com timbre muito próximo do amigo. Arrasou!
Fim de show  e ovação sem parar, óbvio! É a deixa para que eu falasse com o Lupinho.  “Como foi essa emoção toda e ver essa bela homenagem ao seu pai e vivenciar esse momento?” Ele é contundente: “Primeiro, é difícil chegar a essa diva, difícil comentar, tem que ter nervos de aço para chegar aqui e vê-la apresentando o pai no show. Já faz 40 anos que ele não está conosco, e Elza me chama ao palco para cantar, sem ensaiar absolutamente nada. Não tem como dizer que caiu uma lágrima, cairam as lágrimas inteiras, uma cachoeira!”.  Ele completa contando que estava em Porto Alegre e que lhe falaram: “Lupinho, tem de ir ao Rio de Janeiro”. Ele foi, viu e venceu o medo de encarar a cantora olho no olho: “Tive mesmo uma grande surpresa, porque o meu aniversário foi ontem. Ganhei o maior presente da minha vida”.
Emocionado ainda recorda um dos momentos que presenciou, ainda pequeno, Elza numa visita ao Lupi, em Porto Alegre “Eu me lembrei de uma ocasião lá em casa. Sabes que Porto Alegre é um gelo e ela não está acostumada com o frio. Ela sentou na beirada do fogão à lenha e não arredou o pé de lá o tempo todo, comeu o churrasco direto agarradinha ao fogão”.
Adriana Calcanhoto está presente e é mimadíssima por Elza Soares, que não poupa elogios. Perguntada sobre os tais mimos, a cantora se desmonta em suspiros: “Ah, ela é demais, cara, demais! Cada coisa que vejo dela fico mais surpresa. É  uma artista de um tamanho inacreditável e, quando se juntam estas duas potências (ela e a música do compositor), só podemos esperar um show lindo! Ficamos, assim, apaixonados ao ouvi-la. Ela sempre consegue emocionar e é uma artista gigante. Tudo apresentado do jeito dela entra com uma força descomunal, porque todas estas canções tem a ver com a vida dela”.

Nina Becker, da Orquestra Imperial, também é só elogios: “Ver a Elza sempre é muito especial. Se eu canto hoje em dia é por causa dela. Quando eu comecei a cantar na Orquestra, eu não tinha a menor ideia do que era ser cantora. Fui por conta dela,  depois de um disco que Elza fez do Wilson das Neves que eu amava. Aí, eu me convidei para cantar na Orquestra Imperial e disse que tinha um disco da Elza Soares, que a gente tinha que tocar essas músicas. Eu trabalhava com cinema na época. A Orquestra bombou e tudo mudou na minha vida. Só virei cantora só por causa da Elza Soares”.
Para fechar a receita de sucesso da noite, só falta a cereja no topo do bolo e não pode deixar de finalizar com mais algumas palavras da rainha da noite. Questionada sobre como é abrir para o público a história entre ela e Lupi e ver tudo vertido em um show memorável, ela vai na lata: “Você viu no palco, né? Canto e choro Lupi, por isso é difícil dizer o que sinto. Tenho um pedaço dele dentro de mim e acho que canto a nossa história pessoal através das suas músicas. É por isso mesmo que me debulho tanto em lágrimas”. Ela dá uma pausa e continua: “Antigamente, havia muito essa facilidade de cantar a dor de cotovelo, não era vergonha dizer que amava e expressar até fraqueza. Hoje, tem essa bobagem de ter que mostrar o tempo todo que somos fortes. Com isso a música e a poesia empobreceram”.
E, quando o assunto é atingir todas as idades, ela é categórica: “Você estava na plateia, viu que a minha banda só tem jovens, meninos lindos, maravilhosos, e capacitados, tocando músicas antigas com a maior responsabilidade. Daí  você vê que a cultura musical existe, e esse negócio de ‘não é do meu tempo’ é uma bobagem. Eu tenho pavor disso!”

Minha entrevista retirada do Site Heloisa Tolipan

Férias Brasil - Com "Bossa Negra" Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda homenageia Vinicius de Moraes e Baden Powel e reúnem amigos


Como ali só tinha quem gostasse de samba, ninguém ruim da cabeça e muito menos gente doente do pé, já se pode imaginar como foi notável esta noite de segunda-feira (25/8). No Theatro Net Rio, Diogo Nogueira, o sambista bonitãofilho do saudoso João Nogueira, ilustre portelense, se junta com Hamilton de Holanda , músico de responsa, que ficou em evidência na cena da música brasileira em 1995, quando foi considerado o melhor intérprete no II Festival de Choro do Rio de Janeiro, com “Destroçando a Macaxeira”. O motivo do encontro? Celebrar Vinicius de Moraes e Baden Powell com seus afro-sambas em um show chamado “Bossa Negra”.

Os caras têm a tradição no DNA e inspiração não lhes falta. São defensores de um samba ao mesmo tempo autêntico, suburbano carioca e suingado. O saudoso Bezerra da Silva já dizia: “Cada um na sua área, cada macaco no seu galho, cada rei no seu baralho, porque duas fases positivas quando se encontram só dá explosão.” Mas, se pensarmos num estrondo extraordinário, este com certeza é pica das galáxias, usando um jargão que os músicos da boemia adoram. “Malandro é malandro, e mané é mané!” Diogo e Hamilton se encontraram artisticamente em Miami, num show em duo, sem repertório, de improviso. “Deu laço, né?”, conta o primeiro em palhinha jogo-rápido comigo após o espetáculo. “Bateu aquela vontade de se encontrar outras vezes, logo surgiu o conceito do ‘Bossa Negra’, foi natural”, conta Hamilton. 
De fato, a expressão musical une os dois amigos. E como a parada não é fraca, tem que ter mesmo disposição: a escalação foi de primeira, sem medo de tomar sete gols e nada de bolada nas costas. Juntou-se o baixista André Vasconcellos e o percussionista Thiago da Serrinha – fina flor do Morro da Serrinha e da tradição do jongo. Vale ressaltar que Hamilton toca no bandolim de 10 cordas (eventualmente violão), André manda bem no contrabaixo e Thiago na percuteria (um naipe incrível de percussões), formando um trio bem diferente, nada jazzístico (como os de piano, baixo e bateria), mas típico da tal bossa negra. E nessa noite de estreia só para convidados, não faltou gente bacana, de Vera Fisher a Caetano Veloso, passando por Arlindo Cruz, Marcelo D2 e grande elenco de convidados, todo mundo naquela vibe de acertar as coisas entre amigos, conferir som bom e dar aquela força aos dois artistas para receberem o público de alma lavada o público nos dias 26 (hoje) e 27 (amanhã). 
Num primeiro momento, o repertório revira a tradição com o samba-canção “Risque”, de Ary Barroso, clássico romântico das gafieiras, ou o sambinha “Mundo melhor”, de Pixinguinha e Vinicius de Moraes, gravado por Elza Soares no auge da bossa negra. Faz a ponte entre a década de 1970 de “Mineira”, samba sacudido de João Nogueira e Paulo César Pinheiro dedicado a Clara Nunes, e o sucesso de Beth Carvalho “Samba de Arerê” –Meu samba tem muito axé, quer ver, vem dizer no pé Escute o som do tantã tem samba até de manhã…” Coisa boa, uma parceria deArlindo Cruz e Xande de Pilares. Arlindo, aliás, representa a Geração Cacique de Ramos e também está presente em“O que é o amor”, parceria com o mais jovem Fred Camacho. Já “Desde que o samba é samba”, clássico de Caetano Veloso, insere o samba na mais profunda tradição negra e ganha de Hamilton e Diogo uma interpretação antológica, mais suingada e ágil que as gravações anteriores. Outro momento alto dessa ligação com a tradição está no afro-samba inédito de João Nogueira e Paulo César Pinheiro, “Salamandra”, no qual Diogo dá um show vocal e Hamilton apresenta um solo espetacular. “O cara brinca de tocar, fato!”, manda Digo na lata! O samba, que é da estatura daqueles clássicos da parceria, é construído em letra e música a partir de procedimentos típicos dos afro-sambas: na música a partir de matriz rítmica africana, na letra evocando os poderes mágicos do samba (“Deixa eu cantar meu samba/Pra apagar o fogo/Da paixão fatal/Da mandinga/Do poder da salamandra/Labareda que apaga sem dar nem sinal”…) A magia, portanto, está no ar e as forças da natureza são evocadas ao longo do espetáculo, com Diogo mantendo o figurino branco e o microfone dourado em reverência. Bom, quem é de lá sabe do que se trata. Destaque para Thiaguinho da Serrinha e sua percussão pontuando o conceito, a comunidade de Madureira e Vaz Lobo agradecem: “Bonito, garoto”!
Diogo e Hamilton juntos fazem a plateia viajar em mares profundos, sinergia total no palco e até naqueles momentos de timidez. Percebe-se a generosidade e a amizade que ambos nutrem um pelo outro. O Show passa rápido, jogada acertada ainda mais porque deixa todos com gostinho de “quero mais”, tanto que rolou bis e o teatro vem abaixo a seguir, com muitos aplausos de pé e agradecimentos a todos que contribuíram para o projeto. 
No fim, não podia deixar de conferir com a rainha do samba Beth Carvalho suas impressões. “Você é madrinha desses meninos todos, acompanhou o crescimento deles,  como é a emoção de vê-los assim?”, pergunta o repórter? “Fico muito feliz, porque pra mim, o Diogo é maravilhoso e o Hamilton de Holanda um gênio. Tenho o prazer de ter lançado ele praticamente para todo o Brasil. Ele acontecia em Brasília, depois que ele entrou no meu DVD e que eu falei dele, a coisa explodiu, graças a Deus merecidamente! Você viu que trabalho bonito, esse ‘Bossa Negra’? O Diogo está cantando muitíssimo bem e o nosso André Vasconcelos o Thiago estão sensacionais”, rasga seda a sambista.
Surpresa da noite foi esbarrar com Altay Veloso, figura reticente a badalos. e pergunto: “Altay, como vê toda essa responsabilidade em cena dessa dupla?” Ele vai direto ao ponto: “É uma grande ousadia, tanto da dupla quanto desse quarteto no palco, que coisa impressionante! São craques! Vemos de cara que é aquilo possível fazer com a música, um negócio de uma batucada fantástica. Tudo tem a ver com esperança, já que percebemos que tudo aquilo é possível.  Que orgulho de fazer parte dessa tribo”. O repórter quer saber o que poderia servir de inspiração para a molecada, e o artista não se faz de rogado: “É possível estimular essa molecada! Diogo e Hamilton fazem essa ponte, havia um hiato entre gerações que é agora recuperado, e  penso que os deuses do samba vão dar aquela catucada na garotada. Bom ver o Diogo, o que ele avançou e vai avançar muito mais. Saio pouco de casa, mas saí hoje porque tinha a certeza!”
Nesse meio tempo, que passa ao lado é Arlindo Cruz. Na lata, pergunto: “Como é ver os amigos nessa onda?” Simpático, ele embarca: “Ah, a gente é parceiro, amigo de muito tempo, vi o Diogo novinho chegando no pedaço, acompanhei todo esse processo. Agora ele já amadureceu e se juntou com o meu vizinho, porque o Hamilton mora agora no meu prédio, rsrsrs! A gente tem se encontrado, feito música. Um show lindo, esse!”, se desmancha. “E os deuses do samba, Arlindo, estão contentes?” Ele arregala os olhos e diz? “Muito contentes!”, como se ele também fizesse parte dessa divindade.
Enquanto isso, tentando dar conta dos múltiplos pedidos de selfie, Caetano Veloso recebe a entidade afro que a noite pede e, com toda a sua baianidade nagô, dispara doce, mas firme: “Foi muito bom, adorei! Os deram conta do recado, impressionaram. E esse bandolim do Hamilton é de tirar o fôlego.” Marcelo D2 também aprova o show: “Cara, é sensacional! Acho que a gente precisava disso, ainda precisamos de muito mais, é bonito mesmo; Bacana ver esses dois talentos juntos assim, dividindo o palco. Uma coragem largarem a carreia solo pra fazer isso pra gente. A MPB não vive sem  encontros assim.”
Minha matéria retirada do Site Heloisa Tolipan