quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Pode entrar que a casa é sua: Decoradora tempera a passagem dos viajantes oferecendo quitutes da terrinha em sua própria cozinha

É uma casa Portuguesa, com certeza! A canção eternizada pela eterna fadista Amália Rodrigues está mais viva do que nunca, sobretudo quando se adentra o lar de Claudia Caseira, a lisboeta que anda causando burburinho na capital portuguesa por promover almoços e jantares by herself para ilustres desconhecidos. Como assim? Decoradora, ela encontrou novo alento justamente abrindo as portas de sua residência para os viajantes, resgatando costumes e tradições locais nesse get together e oferecendo experiência única para quem vem de fora.
Claro que tudo é questão de oportunidade. Lisboa vive um momento de turismo forte e se tornou a coqueluche de muitos turistas, europeus ou brazucas. Quem já conhece sabe o motivo: uma cidade extremamente barata, além de linda – Ora, pois! Esse equilíbrio entre preço e belezura tem dado certo, ainda mais nesse momento de crise econômica de proporções planetárias. Culturalmente rica, acolhedora e visualmente deslumbrante, a principal cidade de Portugal é autêntica, traz patrimônio vastíssimo e ainda se modernizou nos últimos anos, indo na contramão da recessão global em vários aspectos. Nela, o visitante encontra tanto a modernidade da mistura de tribos e gerações quanto séculos de história numa urbe com as quatro estações do ano bem definidas. No ranking deste ano do Global Destinations Cities Index de cidades com maior procura por parte de visitantes internacionais, da Mastercard, a metrópole ocupa o 35º lugar da tabela geral e subiu um lugar na tabela europeia, indo para a 14ª posição. É nesse contexto que Claudia anda fazendo fama à boca miúda. Ou melhor, graúda.
Numa urbe que tem estado lotada de janeiro a dezembro, procurar um lugar para jantar pode ser um martírio digno da inquisição. Um dos atrativos de Lisboa, os restaurantes de comida típica são espaços antigos que não conseguem dar conta do recado, mesmo os que foram remodelados. E tem outra questão: o barulho intenso, com ‘a malta’ (termo que equivale à “galera” para os portugueses) falando pelos cotovelos. Gente desconhecida que, pela proximidade de uma mesa à outra, tagarela sem parar, dando para ouvir a conversa alheia. Resultado: há quem diga que pode-se até opinar sobre quem é ou não o pai da criança vizinha ao lado que faz malcriação bem ali do lado. Pensando nisso – e nessa pulada de galho em galho em busca do prato perfeito que se tornou rotina para os turistas em Lisboa –que a decoradora resolver promover uma verdadeira bocada: o projeto My Lisbon Family
Como uma deliciosa ironia da vida, Claudia Caseira não veio ao mundo à toa com esse nome. Seguiu sua intuição e gritou alto o gosto de ver a casa cheia com todos ao redor da mesa: ela teve o que poderia ser chamado de epifania quando resolveu alargar as experiências vividas e levar a comfort food a outras pessoas, abrindo sua casa para almoços e jantares para turistas, que podem vivenciar in loco degustando os sabores típicos da terrinha em um ambiente hospitaleiro. Nesse último verão – o agito chez Claudia – foi sucesso! De olho nessa iguaria fina que se tornou sua empreitada, fui até o bairro do Príncipe Real, região central de Lisboa onde mora para bater aquele papo com a sorridente Claudia. Confira!
Claudia, conta para a gente um pouco sobre você e seu percurso. Quem é a Claudia Caseira?
CC: Nasci em Lisboa, cresci entre Sintra, Oeiras e Lisboa; tive uma infância na qual brincava na rua, fui adolescente rebelde, mas era boa aluna, rs. Estudei Recursos Humanos, o que me proporcionou ferramentas técnicas para fazer uma coisa que me é natural – criar empatia e gerir pessoas. Mas, no segundo ano da faculdade comecei a trabalhar em decoração e descobri uma nova profissão. Após terminar o curso trabalhei para um ateliê onde pude concretizar projetos de interior design que ainda hoje existem.Nos últimos anos, fiz variadas coisas e trabalhei até com uma designer de alta bijuteria, fui consultora de moda; viajei por aí…
Quando e como surgiu esse desejo de aventurar-se nas panelas e, ainda por cima, para turistas?
CC: Aprendi a cozinhar com a minha melhor amiga e receber sempre foi um gosto! Os almoços de família tinham grandes mesas, lindas, decoradas. E quando fui morar sozinha comecei a dar jantares. Simplesmente adoro! Vem mesmo do coração.
Como surgiu o projeto My Lisbon Family?
CC: De uma ideia de tornar a experiência do turista mais rica: jantar em casa de uma lisboeta. Quando viajo, sempre tenho a vontade de tocar a campainha de alguém e perguntar se posso entrar. Inverti o conceito e abri a minha casa para o mundo.
De onde vem a sua inspiração para criação do cardápio e o que pretende passar a todos aqueles que desejam vivenciar uma experiência única através do paladar?
CC: Primeiro, o conceito passa por adorar cozinhar para os amigos e caprichar no que faço, como se fosse para eles. E passar para outras pessoas essa boa energia através da minha casa, do meu pátio e minha música nesse ótimo ambiente, em um dos bairros mais emblemáticos de Lisboa. Os meus pratos são simples, mas típicos de uma casa portuguesa: bacalhau a Brás, ervilhas com ovo escalfado, empadão, ovos verdes, arroz doce de sobremesa. Especialidades da minha mãe, rs.


E se você pudesse acrescentar uma comida brasileira nesse cardápio hospitaleiro, qual seria?CC: Humm, adoro o vosso churrasco e os acompanhamentos com aquela farofa deliciosa. Pode ser uma ideia…

O papo segue com direito à prova do famoso arroz doce, que esse repórter recomenda. Ela continua a conversa e manda na lata: “Venham conhecer onde tudo começou, de onde partimos para a descoberta do Mundo e do Brasil; e também sentir o gostinho da Lisboa atual, europeia e cosmopolita. Terei todo o gosto em vos receber em minha casa, sejam bem-vindos!”
Minha matéria no site Às na Manga

Sexta-feira 13 de terror em Paris e a invejinha Brazuca pela mobilização nos atentados na França



Quando vivemos num país com essa sensação de segurança, em que o nosso direito de ir e vir é respeitado; ou temos a certeza que ao fim do dia vamos voltar para casa seguros, fica a perplexidade ao nos depararmos com o que rolou em Paris. Estou em Portugal, uma nação extremamente pacífica e assim esperamos que seja sempre. Esses gajos terroristas querem atingir a Europa a todo custo, então, é óbvio, que fica o receio: será que podemos ser alvo algum dia? É  natural que toda a União Europeia sinta-se atingida e parte disto. Em meio ao choque da covardia desses atentados, outra questão me causou uma certa estranheza ao ver nas redes sociais alguns comentários contra a mobilização promovida por Mark Zuckerberg - O Cara do Facebook- em que disponibilizou que os seguidores da rede mudassem a foto do perfil, com as cores da bandeira francesa, sem que a mesma atitude fosse possível  com as nossas catástrofes.







Tempos nebulosos que vivemos com gente obtusa! É relevante essa competição para qual tragédia é mais importante? Sabe a diferença entre chorar pelas tragédias brasileiras e as da França? No Brasil há uma enorme banalização dos nossos piores males; dia após dia a violência gratuita entra em nossas casas, seja através da TV ou quando nós mesmos somos as vítimas. Tiramos sarro do terrorismo das nossas ruas, fechamos os olhos para a nossa mais vergonhosa realidade. Aqui há uma União Europeia, mesmo com falhas, há. E no Brasil? Sudeste tem preconceito com nordestino e quem é do Sudeste é considerado favelado ou metido, o Sul quer separar-se do resto, afinal -eles são um outro país- o Centro-Oeste é chamado de caipira e o Norte a cambada de índios: não é assim? Dentro do nosso território há um xenofobismo velado. Fica bem evidente quando não há essa tal mobilização cobrada pela tragédia de Mariana ou a 'guerra' do tráfico no Rio de Janeiro. Afinal, é cada região por si. Onde está a nossa unidade? Há algum sentido nacionalista? Não estou aqui tendo complexo de vira-lata e sim constatando essa 'invejinha' que há, com países que defendem seus interesses e zelam por sua população. É triste ver que mesmo com o "Estado Islâmico" que temos através da bandidagem no Rio de janeiro e de outras capitais, nunca vimos algum presidente ir em rede nacional, assim como François Hollande, e travado guerra a todo custo contra a violência e a bandidagem que destrói nosso país, ou após um tiroteio em alguma via expressa do Rio, ver o exército na rua. Não seria preciso essa cobrança e desdém dos paladinos das nossas tragédias. Aqui isso é coisa rara, pessoas morrerem assim é trágico e causa essa mobilização. O mundo não faz ideia da nossa guerra, afinal: não queremos saber disso e nem a reconhecemos. Fica no fundo essa inveja com uma nação unida em prol da segurança nacional. Agora, não vale essa dor de cotovelo e esse mimimi e sim o aprendizado de como devíamos ser, não hoje, mas lá atrás.


Rio de Janeiro



Mariana - Minas Gerais / Brasil


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Nada de pedaladas! Com o euro a quase cinco reais, turistas e locais aproveitam domingo de superávit nas contas com monumentos e museus de Portugal na base do 0800

Nada melhor que começar o dia com promessa de economia no bolso. Mesmo que seja na ‘Zorópa’. Diferente do governo, vai fazer bem o dever de casa e, de preferência, nada de pedaladas nas contas. TCU agradece! Lembra aquele tempo em que a brazucada tirava onda sem pensar em economizar, ostentando nas viagens à Europa e tirando selfies nos lugares mais badalados? Agora, com o euro batento quase a casa dos cinco reias, é melhor segurar a onda, sem abdicar de um pouco de glam. Explica-se: neste domingo (27/9) é dia de entrada livre em todos os monumentos e museus portugueses, dentro do âmbito das Jornadas Europeias do Patrimônio. Não somente hoje, mas, aliás, em todos os domingos de cada mês. Direto da capital portuguesa, listei alguns passeios imperdíveis, verdadeiros achados na terrinha: museus de Portugal na base do 0800.
A programação não se resume apenas ao patrimônio industrial e técnico, mas inclui também visitas a fábricas, minas, linhas de caminhos férreos e até moínhos. O programa completo das atividades pode ser consultado através do site do Patrimônio cultural e, segundo o comitê organizador, também são programa garantido, experiências para vivenciar que vão além de comer bacalhau e devorar pastel de Belém. Considerada umas das cidades mais bonitas do globo, Lisboa tem se revelado mais do que nunca nos últimos tempos, desde a série de colinas que descem para o Tejo, um um dos locais mais cénicos do mundo.
A oportunidade tem agradado em cheio tanto que mora na urbe quanto quem visita a cidade, pois a grana anda curta no mundo inteiro e todo mundo tem procurado aproveitar a bocada, com Lisboa lotando de gente de fora nesses domingueiras 0800. Motivo não falta. Afinal, vistas de tirar o fôlego são encontradas em cada esquina da cidade mais ocidental na Europa, cuja antiguidade pré-data capitais europeias como Londres, Paris e Roma por centenas de anos.
Confira abaixo o top 6 (mania do ÁS de jogar por números pares) daqueles espaços dos quais não se deve deixar de aproveitar nessa oportunidade. ti, a lista é grande, vale conferir e escolher o seu roteiro. Confira:
#1 – Mosteiro dos Jerónimos
Meio batidão, tipo cartão postal obrigatório de quem vai à capital portuguesa? Okay, mas quem disse que não é parada fundamental, tipo dar aquele rolezinho básico perto da Torre Eiffel em Paris? Um dos monumentos mais importantes do estilo manuelino em Lisboa, considerado Património Mundial pela UNESCO em 1983, a riqueza barroca possibilita sempre novas descobertas através dos olhares afiados. De quebra, lá se encontram os restos mortais de Vasco da Gama e Luís de Camões. Vai um selfie aí?
#2 – Palácio Nacional da Ajuda
Obra master do estilo neoclássico na freguesia de Ajuda da cidade de Lisboa, que foi construída no local de um edifício de madeira temporário feito para abrigar a família real após o terremoto que sacudiu a cidade em 1755. Quem ama festas de Babette vai se derreter com a pomposa sala de banquete do palácio.
#3 – Museu Calouste Gulbekian
Quem disse que Lisboa só sobrevive de antiguidades barrocas ou renascentistas? O Museu Calouste Gulbenkian prova o contrário, com suas linhas modernistas, e contém tanto peças de arte antigas quanto modernas numa das melhores coleções particulares do globo, legadas pelo magnata que dá nome ao espaço e acumuladas ao longo de um período de 40 anos por esse tycoon do petróleo, que foi um dos homens mais ricos do século 20. E de quebra, ainda engloba seções com magníficos exemplares de arte egípcia, grega, romana, islâmica asiática e europeia, para quem não pretende se resumir aos óbvios Metropolitan (Nova York), Museu Britânico (Londres) e Louvre (Paris).
#4 – Palácio de Queluz
Seus jardins históricos constituem um dos mais extraordinários exemplos da harmoniosa ligação entre paisagem e arquitetura, o local pertencem a um período marcado pelo barroco, mas que segue pelo neoclássico. Foi residência de verão da família real, local onde permaneceram até embarcarem para o Brasil em 1807, fugindo de Napoleão. Curiosamente, foi ali onde D.Pedro I nasceu – e ironicamente morreu -, no famoso quarto Dom Quixote.
#5 – Palácio Nacional de Mafra
Mandado construir por D. João V para cumprir um voto de sucessão, o Palácio de Mafra é o mais importante monumento barroco em Portugal. Parece até Versailles, mas só falta cheirar a toucinho do ceu. O conjunto arquitetônico é formado por um Paço Real, Basílica e Convento e possui importantes coleções de escultura italiana, de pintura italiana e portuguesa, além de uma biblioteca única, seis órgãos históricos e um hospital do século XVIII, da época em que estes estabelecimentos só eram local de cura se estivessem vinculados à nobreza. Já que é menos visitado por brasileiros do que outros monumentos mais óbvios, vala aproveitar o dia de boquinha grátis. Integrado à Rede de Residências Reais Europeias, é construção que só foi possível graças à enorme extração de do ouro do Brasil. Cá entre nós
#6 – Torre de Belém
Está bem, é lugar para lá de batido para quem viaja à terrinha, mas esse patrimônio mundial – devido ao papel significativo que desempenhou nas descobertas marítimas portuguesas – é um dos favoritos da brasileirada que passa por Lisboa. Então vale dar um rolé e mandar na lata: “Olha o Cabral aí, gente!”.
Minha matéria do site Ás na Manga